O ENEM foi criado pelo MEC tendo como inspiração o SAT Reasoning Test (teste de raciocínio, numa tradução livre), exame americano nacional que é aplicado também no exterior. O SAT é usado pela maioria das universidades dos Estados Unidos como um dos critérios para o ingresso de estudantes. Já o ENEM avalia as habilidades dos candidatos, mas com um conteúdo mais aprofundado. São 200 questões, divididas em quatro grandes eixos (linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas), e uma redação.
Ao contrário do ENEM, desde a sua criação, o SAT nunca registrou nenhum problema considerável na confecção, aplicação e correção das provas e na divulgação dos resultados. Ou seja, o sistema americano sempre funcionou com eficiência. O mesmo não podemos dizer do ENEM. Depois que ele passou a ser adotado pelas universidades federais, sepultando o tradicional vestibular, passou a ser muito visado e alvo de interesses de escolas, principalmente, particulares, que fazem de tudo para terem seus nomes no topo do ranking, apesar de novas regras tentarem inibir a competição entre as escolas. Como tudo no Brasil, quando se tratam de vagas em instituições públicas, surgem as picaretagens dos brasileiros, que seguem a lei do menor esforço, o tal jeitinho brasileiro.
Em 2009 foi o vazamento da prova, pois o MEC contratou uma empresa “fuleragem” pra fazer o serviço de impressão. Ano passado, foram problemas gráficos nos cadernos de questões. Neste ano, surgem denúncias, novamente, de vazamento, agora, de parte das questões da prova. Veja:
Anos anteriores: http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2011/10/enem-teve-problemas-de-furto-e-erros-de-impressao-em-edicoes-passadas.html
Qualquer educador tira o chapéu para o modelo de prova do ENEM, que privilegia o raciocínio lógico e a interpretação de texto, ao contrário do vestibular, que exige memorização e é pouco contextualizado. O ENEM é uma evolução na educação brasileira e pretende moldar todo o Ensino Básico, modificando a forma de ensinar e aprender.
No entanto, não se pode dizer que o processo de seleção está sendo íntegro e justo, pois as falhas do sistema continuam em cada versão do exame. Por que elas ocorrem? Por que não atingem a mesma eficiência dos tradicionais vestibulares de grandes universidades federais?
Porque o MEC não é um órgão sério e eficiente. Ao contrário das universidades, que destacavam gente competente pra cuidar do seletivo e investiam pesado em segurança, no MEC há muitas pessoas selecionadas para trabalhar no órgão a partir do critério de apadrinhamento político. Por exemplo, o Ministério da Educação tem deixado a cargo dos diretores de escola o recrutamento dos fiscais de provas (aplicadores). Estes são escolhidos por critérios políticos e familiares, fazendo com que muita gente que trabalhe na fiscalização do exame esteja ali não por competência, mas por relação de apadrinhamento com o gestor da escola.
Veja alguns casos ocorridos na última prova:
Caso de deficiência nas instruções passadas aos fiscais: http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/enem/em-pernambuco-candidatos-fazem-enem-com-a-carga-da-caneta/n1597316189074.html
Contagem regressiva: até os fiscais estavam em dúvida: http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/enem/estreante-no-enem-marcador-de-tempo-causou-duvidas/n1597309174898.html
É visível que o que falta ao ENEM é competência do corpo técnico e administrativo-burocrático das instituições envolvidas no certame, não dos elaboradores da prova que estão de parabéns pelo nível das questões desenvolvidas. O MEC não tem a cara das universidades federais, que prezam mais pelo mérito. O MEC tem mais a cara do ministro Orlando Silva, que hoje está deixando o Ministério dos Esportes devido às denúncias de corrupção.
Por isso, estou começando a ficar descrente deste exame que tinha tudo pra ser revolucionário. Acho que se o MEC quiser salvar o ENEM, será necessário colocar todo o processo logístico nas mãos das antigas comissões permanentes dos vestibulares das federais, que faziam seus trabalhos impecáveis (nem todas, a bem da verdade!). Porém, isso é uma questão de vida ou morte para o Governo petista, que pretende eleger Fernando Haddad prefeito de São Paulo.
Para finalizar, leia a entrevista do reitor da Unicamp, Fernando Ferreira Costa, que diz que a instituição não vai substituir o Vestibular pelo ENEM: http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2011/10/nao-vamos-substituir-o-vestibular-pelo-enem-diz-reitor-da-unicamp.html




































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