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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Gurus da Administração: O Absurdo Exponencial

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Em tempos de crise econômica, ou melhor, de “crise”, pois na jogatina do mercado financeiro, uma crise representa uma meia dúzia que lucrou muito no mercado e o povão pagará a conta, sendo através das bolhas inflacionárias e desvalorização da moeda ou das transferências legais de dinheiro público à iniciativa privada com a justificativa de salvar empresas da bancarrota e evitar demissões em massa. Reiniciando: em tempos de crise sempre aparece um “especialista” em administração com soluções mágicas e teses absurdas sobre como enfrentar a crise, repletas de falso otimismo propagado por elucubrações de autores da linha autoajuda. Tudo para levantar a moral do sujeito e não deixar o capitalismo esmorecer na história.

Sabe-se que as crises do capitalismo são recorrentes, previsíveis e fazem parte do próprio processo de acumulação de capital deste modo de produção. As crises representam um estágio de acumulação máxima de capital ou de especulação financeira, com isso gerando implosão devido ao aumento da oferta e redução da procura. Para entender melhor esse processo, veja este link: http://www.culturabrasil.org/capitalismoemcrise.htm

Claro que você não verá um economista na televisão falar abertamente o que foi dito aqui, pois esconder este fato da maioria da população é necessário para evitar questionamentos profundos sobre o sistema dominante e pô-lo em xeque. Senão, seria o mesmo que uma religião incentivar os fiéis a fazer uma análise crítica da lógica por trás das regras seguidas e dos mecanismos que moldam a religião, fazendo com que a fé seja questionada.

Por isso, são necessários os gurus da administração e da economia, levantando a moral para uma nova rodada de acumulação de capital e especulação.

Porém, o que isso tem a ver com Matemática e a função exponencial?

Bem! Achei interessante o artigo intitulado “A matemática está sendo usada para explicar o que não devia”, escrito por Lucy Kellaway, colunista do "Financial Times", com artigos reproduzidos no jornal Valor Econômico. 

Ela comenta sobre o fato de muitos administradores, em tempos de crise, usarem a Matemática para dar uma aura de fato ao que geralmente é tapeação.

CLIQUE EM CONTINUE LENDO ABAIXO, para ler o artigo:


A matemática está sendo usada para explicar o que não devia
Por Lucy Kellaway

Falando do ponto de vista de minha própria verdade, acho que algumas coisas são mais verdadeiras que outras. A mais verdadeira de todas é a verdade matemática e, desse modo, é perturbador vê-la sendo sempre roubada desavergonhadamente por inúmeros administradores ávidos por dar uma aura de fato ao que geralmente é tapeação. Isso é tudo, menos exponencial.
 
Agora qualquer acontecimento nos negócios é chamado de "data point" (ponto de dados) e a mudança é cada vez mais conhecida como "delta", como na frase "qual é o delta disso?". "Ponto de inflexão" é tão aviltante quanto. Na matemática, isso é quando a curva passa do positivo para o negativo, mas para os administradores trata-se de uma maneira grandiosa de dizer máximo ou mínimo.

No mês passado vi a situação ser ainda mais degradada em um artigo entusiasmado demais publicado no "Huffington Post", escrito por um empreendedor social e intitulado "O Ponto de Inflexão, O Momento "Aha"" -em que esse ponto não significa absolutamente nada.

Os administradores têm um longo histórico de comportamento imprudente com porcentagens com o objetivo de fazê-los parecer melhores. Quando o assunto é esforço, um impossível 110% é usado para ser considerado como o mínimo indispensável.

Agora a hiperinflação se estabeleceu. Poucas semanas atrás na Austrália, o maior porcentual ilegítimo de todos os tempos foi registrado quando o ex-jogador de críquete Tim Nielsen disse que a "Austrália está 100.000% atrás de ser o melhor time do mundo".

Todo tipo de coisa está errada quando é transferida da matemática para o vocabulário dos negócios. "Decimalizar" significa reduzir em um décimo; não significa cortar. "Infinito" significa imensamente grande; não é uma expressão geral para "muito". E "quantum" é algo muito, muito pequeno, e não algo muito, muito grande.

No entanto, mais infeliz do que qualquer uma das expressões acima é a frase "faça a matemática". Estaria tudo bem se isso significasse um convite autêntico ao uso da régua de calcular. Mas na verdade é uma maneira ligeiramente ameaçadora de afirmar: estou certo e a lógica está do meu lado.

No mês passado, Barack Obama alegou que seu pacote de impostos "não é uma guerra de classes. É matemática". Mas na verdade não é matemática. Mesmo assim, pelo menos o presidente Obama é americano e desse modo a frase soa melhor em sua boca. Na semana passada ouvi na BBC Radio Four um britânico falar sobre a extrema direita na política do Reino Unido, conclamando os ouvintes a "fazer a matemática"- o que soou ainda pior.

A coisa mais estranha sobre todo esse uso equivocado da matemática é que quando há uma necessidade real de se discutir números, os administradores ficam envergonhados e os termos numéricos apropriados não aparecem.

Na verdade, nos negócios os números não são mais chamados de números- eles são chamados de "métrica". O que é um pouco bizarro quando você se dá conta de que a métrica é o estudo das medidas na poesia. E nas bocas dos administradores modernos, os números não fazem mais coisas básicas como aumentar e diminuir: eles vão para o norte ou para o sul, como se fossem pontos em um mapa.

Participei de um encontro na semana passada em que um diretor financeiro disse as seguintes palavras: "Estamos nos esforçando para a nossa métrica ficar no norte da marca de 3 moinhos". Se ele tivesse feito a matemática antes de abrir a boca, poderia ter colocado a coisa de uma maneira melhor e dito: o número será maior que 3 moinhos, ou X$>3m.

Fonte: Jornal Valor Econômico

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