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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Análise crítica do Seminário Nacional do Ensino Médio Inovador

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Para quem não sabe, o Ensino Médio Inovador é um programa do Governo Federal em parceria com os Estados, que surgiu como uma forma de incentivar as redes estaduais de educação a criar iniciativas inovadoras para o ensino médio. A intenção é estimular as redes estaduais de educação a pensar novas soluções que diversifiquem os currículos com atividades integradoras, a partir dos eixos trabalho, ciência, tecnologia e cultura, para melhorar a qualidade da educação oferecida nessa fase de ensino e torná-la mais atraente.

Do dia 8 ao dia 11 de novembro aconteceu no espaço do SESC/Bertioga – SP, o segundo Seminário do Ensino Médio Inovador, com a participação de cerca de 700 educadores. Esse encontro foi uma continuação da Formação de Professores que aconteceu na Escola SESC, Rio de Janeiro, no começo do ano e foi resultado do acordo entre o SESC e o Ministério da Educação. Agora, gestores, professores e alunos estiveram reunidos novamente desta vez tendo como foco conhecer os trabalhos realizados pelas escolas e analisar o processo de organização do programa nas secretarias.

Pontos positivos e negativos do Seminário

Como participante atuante do evento, selecionei os principais pontos positivos e negativos do Seminário, com destaque para os pontos negativos que foram maioria (por isso eu começo por eles) e servem de alerta para que o próximo evento seja mais organizado e que não se cometa os mesmos erros deste.
'Parece que o objetivo do MEC é manipular os professores como se fossem seus cordeiros e evitar a livre expressão dos profissionais que participavam do seminário'
Pontos negativos:
  • Houve concentração muito grande de professores de uma mesma área, como a de Linguagens e Códigos, principalmente, professores de Língua Portuguesa. Não houve um balanceamento da quantidade de profissionais de cada área;
  • Era para ter mais professores que gestores, mas estes últimos queriam relaxar na colônia de férias do SESC Bertioga e acabaram sendo maioria. E não teve ninguém do MEC para fazer um controle da quantidade de participantes de cada segmento;
  • As escolas teriam que apresentar seus pôsteres, mas o espaço destinado à exibição dos mesmos foi um corredor de um prédio, totalmente inadequado para uma mostra como essa. Parecia que a intenção era não deixar visível/acessível a produção das escolas para o público presente. Tudo bem que uma boa parte dos pôsteres era vazios de conteúdo e parcialmente fora de contexto, mostrando a incompetência dos “profissionais” que estavam por trás da elaboração do material;
  • Muitos professores que foram ao evento apresentar seus trabalhos não puderam fazer por não terem disponibilizado espaço para as suas falas. Outros foram com uma finalidade determinada pelas secretarias de educação de seus estados e, na hora, foram designados para outras atividades ao qual não estavam preparados. Parece que o objetivo do MEC é manipular os professores como se fossem seus cordeiros e evitar a livre expressão dos profissionais que participavam do seminário. Segundo o que consta, é que o MEC tem esse hábito de mudar as regras do jogo na última hora e fazer as coisas sem planejamento adequado;
  • A programação do evento estava meio que obscura, parcial e foi apenas disponibilizada no dia da abertura do evento. Comunicação não é o forte do MEC;
  • A imprensa não teve acesso ao local do seminário, restando apenas as notas oficiais geradas pela assessoria de comunicação do MEC, que obviamente registrou que o evento foi um sucesso.
Pontos positivos:
  • O seminário foi um momento de socialização e troca de experiências, ainda que se tenha realizado fundamentalmente através de conversas informais nos contatos do dia-a-dia dos quatros dias de evento;
  • O local do evento foi bem escolhido e confortável (o SESC Bertioga-SP): boa estadia, boa comida, ótimo espaço de lazer. Só para registrar, houve show de Zeca Baleiro para os presentes no evento, fora as diversas atrações culturais durante os quatro dias de seminário, inclusive com apresentação de palhaços, malabaristas, contadores de história, etc. Ou seja, em termos de circo (no bom e no mau sentido), não deixou a desejar para o respeitável público. Mas em relação a conteúdo…;
  • Foi muita boa a troca de ideias com os professores que são verdadeiramente Gente que Faz, remando contra a maré do desinteresse público em solucionar o problema da educação pública, lutando, às vezes, até contra a direção da escola que não tem visão moderna e progressista. A maioria desses professores que encontrei no evento eram dos estados de Pernambuco e Pará, os destaques do Seminário, em minha opinião.

2 comentários:

  1. Tem relação com o ENEM? Tem relação com a política de governo? Tem relação com o ministro? Tem relação com falta de salário digno aos servidores da educação, digo não só das escolas mais do conjunto que compõe o sistema educacinal brasileiro?

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  2. Mais importante do que participar de um seminário por obrigação ou apenas para acrescentar mais um evento ao nosso currículo é o que você manifestou aqui. Participou, observou e conseguiu tirar os pontos negatos e positivos - ainda que poucos - do momento que vivenciou. Não se pode mesmo deixar que o MEC tente manipular os professor, sob forma alguma.
    Parabéns por sua análise muito bem colocada!
    Abraço...

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