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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Pátria amada, idolatrada, salve! Salve!


Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! Não verás nenhum país como este!
Olha que céu! Que mar! Que rios! Que floresta!
A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,
É um seio de mãe a transbordar carinhos.
Vê que vida há no chão! Vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
Vê que grande extensão de matas, onde impera
Fecunda e luminosa, a eterna primavera!
Boa terra! Jamais negou a quem trabalha
O pão que mata a fome, o teto que agasalha...
Quem com seu suor a fecunda e umedece,
Vê pago o sue esforço, e é feliz, e enriquece!
Criança! Não verás país nenhum como este:
Imita na grandeza a terra em que nasceste! *

Com nove anos decorei essa poesia, e recitava à torto e à direito, até dava vontade chorar, de tão comovente.

Bom, eu não sei o que Olavo Bilac pensou quando escreveu isso; talvez fosse influência parnasiana, ou quem sabe o poeta acreditava mesmo nisso! Mas nada se comprovou na história pretérita; e na presente muito menos.

O céu, o mar e os rios estão poluídos.

Florestas? Natureza perpetuamente em festa? Nem a natureza tem condições de se perpetuar. As grandes extensões de matas estão se tornando desertos.

E os habitantes dessa pátria amada, se acabam de trabalhar, embora nem sempre tenham um pão ou um teto para se agasalharem.

Quem enriquece, não são os que fecunda a terra com seu suor. Esses vêem seus esforços cada vez menos recompensados. A felicidade é aparente e passageira, como de alguém que tem que se conformar com sua posição; e empobrecem cada vez mais.

Acho que a única coisa que Bilac tinha razão é de não veremos nenhum país igual a esse.

* "A Pátria - poesia de Olavo Bilac.

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