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sábado, 15 de maio de 2010

Dia das mães, Religião e Capitalismo

 

A Religião reproduz o modo capitalista de viver. Inclusive o sagrado papel da mulher na sociedade. Fiquei admirada quando assiti uma peça sobre o tema em uma Igreja Evangélica, no dia de homenagear as mães. O nome da peça era "A Trajetória da Mãe".

Ao som de uma musiquinha alegre, entra uma menininha brincando com umas bonecas. Eu disse: "Ah! Já sei onde isso vai parar!" Lógico que eles estavam se referindo ao fato de a menina desde pequenininha ser educada a viver em uma sociedade machista, onde ela deve aprender a cuidar de uma prole, que ela fatalmente terá para cumprir o seu papel de progenitora na sociedade. Não?! Não é isso, não? Ah pensei que fosse. Ou será que é exatamente isso que a Religião reproduz, porém as cabeças de nível mental inferior não conseguem assimilar?

Continuando. Após essa cena, e sob a musiquinha alegre, e uma narração inocentemente machista, entra uma adolescente varrendo a casa. Ajudando a mãe, pois, aprende com esta como cuidar do lar. Ótimo! É só para isso que nós, mulheres, servimos! 

Próxima cena, uma adolescente indo para Escola. E mais uma vez o narrador derrama palavras, que eu não sei como todo mundo engole como "normais": a futura mãe deve se instruir pois deverá ensinar o B-A-BA para o seu filhinho. Ahhhhhhhhhhhhhhhhh!!!! Eu quase tive um treco! Foram essas as palavras usadas pelo narrador, acreditem! Essa foi demais!

Posteriormente a jovem encontra sua paixão! Ohhhhh! Seu amor puro e inocente! E depois.... Adivinha! O que é que a mulher tem que fazer ao encontrar seu grande amor? Acertou quem falou: SE CASAR!

Agora o óbvio: depois que a mulher foi adestrada, cumpriu sua primeira ordenança social, ela tem que ter filho. E a última cena é essa. A mulher chega à sua reta final, engravida, depois cuida de seus filhinhos. 

Interessante é que após a cena em que se casa com seu parceiro, a mulher entra no palco grávida sozinha. Não considero uma mera coincidência, mas com certeza houve um descuido da parte dos organizadores, que não percebem que aquilo tudo foi uma representação do modelo de mulher e, consequentemente, do modelo de família que o capitalismo sustenta.


Um comentário:

  1. Eu não sei se algum dia teremos uma sociedade em que a maioria esmagadora não se deixe iludir e ser adestrada. Acho que só se for através de algo que as religiões, em geral, não aceitam: a EVOLUÇÃO. O ser humano precisa evoluir para uma espécie que rejeite a dominação. Será que isso acontecerá um dia?

    Muitos acham que pela educação libertamos o povo. Mas, mesmo nos países que possuem o maior índice de desenvolvimento humano e de escolaridade da população, mesmo assim vemos muitas formas de dominação e adestramento. O marketing está aí, em qualquer lugar do mundo. A questão é genética mesmo.
    Quem nasce esperto, enxerga longe, mesmo sem um diploma na mão.

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