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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Construtivismo: Da teoria à prática são outros quinhentos


Se perguntarmos a qualquer professor se ele é construtivista, é bem certo que ele dirá que sim. Mesmo porque, se a resposta for não, olharemos para o sujeito como se ele fosse um tiranossauro rex da educação. Pois desde a faculdade, ele aprende a repetir o mantra do construtivismo, mesmo sem saber direito o que é e como funciona na prática... Poucos sabem!

E de quem é a culpa? A culpa é do governo?

Que o aluno deve construir seu conhecimento, através da pesquisa e investigação; que o modelo construtivista é o correto para que haja um ensino/ aprendizado eficiente, isso “todos” os professores sabem ou deveriam saber. Na teoria poucos discordam.
Porém, na prática impera o modelo instrucionista. Até mesmo os professores com cabeça aberta e excelente formação pedagógica e que tentam inovar em sala de aula acabam sendo vítimas da estrutura arcaica dominante, movida por um sistema educacional que, ao mesmo tempo em que cutuca o professor para que mude suas práticas, ele próprio não muda e ainda atrapalha quem tenta mudar.

Digo isto porque na Rede Estadual do Maranhão a coisa funciona desta forma: toda vez que há cursos de formação continuada dos professores, ou nas discussões das semanas pedagógicas na escola, ou através de documentos e manuais publicados pela Secretaria Estadual de Educação, sempre tocam na mesma tecla, do professor mudar suas práticas e procurar estabelecer um processo de ensino-aprendizagem baseado no favorecimento de um ambiente em que o aluno construa seu próprio conhecimento, que se trabalhe com projetos, numa perspectiva interdisciplinar, etc., etc.

Porém, na hora do “vamos fazer, então”, deparamo-nos com mil dificuldades, esbarramos em entraves impostos exatamente por quem está cobrando mudanças; há falta de suporte da escola para uma aula inovadora, limitações oriundas do próprio padrão de funcionamento da escola, uma estrutura engessada que não favorece um ambiente renovador. Falta material didático de apoio; os livros didáticos ainda seguem o modelo de currículo vigente que favorece o paradigma instrucionista.
Quanto à interdisciplinaridade, como trabalhar isso dentro de disciplinas estanques e que seguem horários de aula rígidos?

O dilema é (para mim algo impossível) como estabelecer na sala de aula (o professor sozinho e por conta própria) um modelo construtivista pleno, dentro de uma estrutura escolar arcaica, visivelmente instrucionista?
Dá para fazer algumas coisas, como eu, professor de Fisica, procuro sempre fazer, mas não uma revolução. Pois do discurso à prática pedagógica são muitos quinhentos. Como diz uma colega minha, nós professores estamos tirando leite de pedra.

O pior de tudo é que, no final das contas, quando as coisas não acontecem ou não funcionam adequadamente, as secretarias de educação culpam exclusivamente os professores, alegando má vontade destes para mudar o modelo de ensino.Quem é professor, principalmente de escola pública, sabe do que estou falando.

Para mudar o modelo de ensino, é preciso mudar o modelo de gestão do ensino. Senão estaremos brigando com os galhos, quando o problema maior está no tronco.

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