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quarta-feira, 3 de março de 2010

Gravidez indesejada: “Foi sem querer, querendo!”

Para quem mora num bairro de classe média de uma cidade evoluída, o texto abaixo soará um pouco anacrônico, mas é o que se passa nos grotões do Brasil, incluindo a sempre provinciana capital maranhense, que não é uma grota, mas vai ter que ralar muito pra virar uma cidade cosmopolita.

Em contato com os bairros pobres de São Luís, frequentemente fico sabendo de alguma garota que se descuidou e engravidou de um cara que não era nem namorado. Recentemente fiquei sabendo de mais um caso, envolvendo vizinhos. Fico ansioso para perguntar: por que tanta gravidez por engano dita indesejada? Será burrice? Irresponsabilidade extrema? Algo acidental ou proposital? Quem ganha e quem perde com as concepções não planejadas?

Acredito que burrice e irresponsabilidade somente não explica. Parece que os homens, muitas vezes, com algumas garotas, sentem um desejo inexplicável de não usar meios contraceptivos com o intuito de provocar uma gravidez. Sempre há uma vontade de transgredir, de deixar rolar e propositadamente acontecer. A sensação de que irão engravidar uma garota parece fazer os homens mais homens. Parece que o ato de engravidar uma mulher faz o homem se sentir mais realizado como macho.

Talvez se deva à sensação de poder que isto traz. Principalmente para a classe baixa que, no plano político-econômico, é invariavelmente dominada e se vê completamente impotente em relação aos complexos mecanismos da sociedade. Gerar um filho é quase como dizer aos donos do poder que “eu também posso”. Aliás, o poder de gerar um filho é uma das poucas coisas que igualam os homens (uma outra é a morte). Por isso, existe este desejo de que aconteça um “acidente”. Apesar de que as consequências de tal ato todo mundo sabe que não são boas. E fingindo ser acidente, a culpabilidade virtualmente diminui.

Outrora, no tempo dos meus avôs, quando a sociedade brasileira era essencialmente agrária, quanto mais filhos um homem tivesse, mais macho era considerado perante a comunidade. Resquícios desta cultura em que a masculinidade era medida pelo tamanho da prole, deve permear nosso cérebro, principalmente, entre aqueles de pouca leitura e de hábitos conservadores. É incrível a quantidade de jovens que são liberais apenas na casca. Internamente são tão conservadores quanto seus pais.

Do ponto de vista da mulher, muitas ainda acreditam que podem agarrar o homem amado simplesmente fazendo um filho com ele. Algumas vezes até que funciona. Mas o risco de não dar certo é muito maior. Outro motivo pelo qual a mulher relaxa o uso de contraceptivos é para agarrar um homem que tenha um nível sócio-econômico melhor que o seu. Nos rincões do meu Brasil varonil isso ainda é comum.

De qualquer forma, essas garotas não foram bem educadas. E é nelas que devemos concentrar nossa atenção, investindo mais em educação. Esta frase vocês já ouviram, não? Mas é pra chover no molhado mesmo!
Afinal, quem vai arcar com o maior ônus é ela que carregará por nove meses o rebento na barriga até “arrebentar”. Porém nessa história de gravidez todos perdem. Não só o casal irresponsável, mas os pais deles, os irmãos, os vizinhos, ou seja, a sociedade em geral. Pois quanto mais filho, mais desemprego, mais excluídos, maior a marginalidade, maior a violência, mais miseráveis, mais políticos ladrões também miseráveis, etc. Resultado: um país mais insuportável.

Por isso que eu sou a favor do que fizeram na Suécia na segunda metade do século passado. Esterilizaram em massa os miseráveis nas favelas. Brincadeira! Não sou tão radical assim. Uma intensa campanha educacional a favor do controle da natalidade bastaria. Do jeito que está não dá! Pois como disse alguém, “os pobres são os maiores culpados pelo aumento da pobreza”, pois ficam fazendo filho que nem rato no esgoto. Em se tratando de muitos arrabaldes de Brasil, os murinos até que se reproduzem menos.

Para concluir este post, o “foi sem querer” alegado em cada gravidez indesejada deve ser substituído pelo foi “sem querer, querendo”, como Chaves cansa de repetir em suas repetitivas reprises (olha uma PARANOMÁSIA aí, gente!).

2 comentários:

  1. É difícil convencer a plebe a não fazer filho à toa, quando as novelas chegam sempre ao seu final com quase todo mundo casando e tendo filho.

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  2. kkkkkkkkkkkkk. esse bando de buchi ficou engraçado.

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