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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Termina a maior válvula de escape do Brasil

 Qualquer sugestão de apelo ao nudismo é mera coincidência.

Os carnavais surgiram como grandes festas coletivas de sublimação e de catarse coletiva. O carnaval sempre foi a válvula de escape das panelas de pressão sociais, época do ano onde a inversão da realidade dura do cotidiano é passível de ser alterada.

Na antiga Roma ou na Idade Média já era assim. Homens vestidos de mulheres, mendigos coroados no meio das ruas, banquetes preparados para famintos e cães, enfim, tudo o que contrariava a dureza da realidade.

Empresas e chefes promovem festividades ocasionais entre seus funcionários para que estes descarreguem a pressão e o estresse ocasionados pelo trabalho; relaxados e com o pensamento de “meu trabalho é legal e a vida é boa” os funcionários trabalharão mais satisfeitos e produzirão mais. O Carnaval é como se fosse uma ocasião dessas, só que em larga escala, onde todo o povo descarrega suas preocupações, raivas, desejos, estresse, pressão, depois volta à normalidade com as pilhas trocadas, prontos para serem novamente explorado.

Durantes alguns dias todos os problemas da humanidade desaparecem. Nenhuma notícia de crise financeira ou violência; o trânsito será tranqüilo para quem quiser viajar no carnaval, sequer vai chover nas principais capitais do país onde semanas antes sofria com sucessivas enchentes. O mundo está perfeito, tudo o que você tem que fazer é se divertir. Como os haitianos estão se virando após o terremoto? Bem, eles devem estar pulando o carnaval.

De volta à realidade, agora o brasileiro está com a cabeça fresca e tranquila pra enfrentar trens e ônibus lotados e trânsitos engarrafados nas grandes cidades; está preparado para continuar pagando impostos e quase não ver retorno do dinheiro em benefícios sociais, e ainda será convencido, nas eleições deste ano, a escolher os gatunos que nos representarão; está pronto pra ser explorado o ano inteiro no trabalho, sem reclamar... Pra que reclamar? Está feliz, brincou o Carnaval, tem a alma lavada!

Daqui pra frente, as irritações de todos os percalços e humilhações do dia-a-dia vão se acumular e explodir no Carnaval 2011 em forma de confetes e serpentinas. E tudo pode continuar como está... Desde que o Carnaval continue existindo e que tenhamos apenas uma semana de liberdade e felicidade por ano.

Interessante como o moralismo funciona: Ah, hoje pode; o resto do ano, não! O Carnaval termina funcionando como uma liberdade condicional aceita pela população.

Definitivamente, assim é muito fácil dominar um povo!

Em  parceria com o Professor Tuba.

2 comentários:

  1. As pessoas são tão facilmente manipuladas, que elas não percebem quando estão sendo usadas como massa de manobra.

    Qualquer filósofo sabe que o modo de produção capitalista precisa canalizar quase toda a energia do sujeito para o trabalho, para a geração de capital. Daí vem tantas regras morais impedindo que a pessoa gaste energia com lazer (sexo). A liberdade sexual é péssima para o capitalismo.

    Mas pra impedir que a população "exploda" em revolta por se reprimir tanto, o Carnaval serve, então, como uma válvula de escape: alguns dias do ano em que se permite a liberdade sexual, que deveria existir o ano inteiro.

    Porém, pouca gente entende isso. Por falta de um estudo profundo sobre o comportamento humano e a sociedade. Muita gente tem o entendimento apenas superficial da engrenagem social.

    E isso porque pouca gente lê de verdade no mundo.

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  2. Não vou a carnavais. As pessoas não se dão conta de quanto são alienadas. Todo ano são arrecardados milhões, por isso não é uma indústria que não acabará nunca, por mais que tenha mortes, prostituições, drogas... Isso não aparece nas notícias, como você disse, nada de ruim aparece na televisão nessa época.

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