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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A Igreja Evangélica e o seu Carnaval

Falamos no texto anterior sobre o Carnaval, como válvula de escape do capitalismo tarará tarará. Mas gosto sempre de mostrar diversas faces da alienação. 

Um prêmio para quem adivinhar: quem não vai pro Carnaval faz o quê?

Estuda. Lê. Continua sua vida normalmente. Sim, mas eu não estou falando de mim ou de você que não pára sua vida por qualquer rito social.

De novo. Usando o linguajar das partes em questão:

Quem não vai pro Carnaval se prostituir, beber, perder suas vidas no mundo [dica], mas prefere se congregar com seus irmãos, adorar e louvar a Deus, faz o quê?

Isso! Faz o famoso Retiro de Carnaval.

Quem é evangélico acha que só tem essas duas opções. Novamente o pensamento de que nessa época você tem que fazer alguma coisa relacionada ao Carnaval. E se você for da igreja e não for para o Retiro eles ainda dizem “vai ficar no mundo, irmão?”.

Se é um pouco parecido com o Carnaval no sentido de data, fuga, rito, o Retiro ao contrário de ser um escape às pressões de um ano de exploração, é mais um aprisionamento ideológico de fiéis. O Carnaval permite a liberação do indivíduo a tudo o que a sociedade proíbe em recompensa à exploração que ele é submetido. Já nas Igrejas, você jamais será permitido a liberar sua natureza carnal e mundana, portanto, se o “mundo pode tentar você a cair em suas armadilhas”, a Igreja não deixa, leva você aos retiros para que não caia na tentação do Carnaval. Não que ela não cumpra seu papel para com o capitalismo, só que ela faz isso de maneira diferente; promessas de vida eterna e mensagens de amor ao próximo por exemplo.

Não é a única oportunidade que ela tem para fazer isso, enche os fiéis de programações principalmente os jovens para que esses não desviem suas atenções. E os líderes não obrigam ninguém a participar, pelo menos é o que eles dizem. Eles simplesmente falam que quem não está integrado ao trabalho da Igreja é um falso discípulo e terá uma grande surpresa no dia do juízo final. Quem não tem medo desses eufemismos ditos dessa maneira? 

Uma vez no Retiro [que não tem nada de retiro, é só zuada, bagunça, ninguém consegue dormir pra não levar trote] ninguém pode, além dessas coisas que eu citei, fazer nada considerado carnal. E as normas variam; uma entidade que diz que nada proíbe, no primeiro dia de Retiro o organizador reúne a todos e lê uma rol encabeçado pela frase “não pode”: namorar; ficar acordado a partir de tal hora; sair dos limites do acampamento; brigar com seu irmão; ficar afastado do grupo com uma pessoa de sexo diferente, principalmente à noite; etc..

E aí? É ou não é uma prisão?

Quem não concordar que atire a primeira pedra.

6 comentários:

  1. Eles fazem no retiro o seu carnaval as avessas. Isolam o sujeito dos apelos carnais apetitosos da folia, do natural do ser humano. Ele, então, não vê nem uma serpentina. Mas terá o seu "carnavalzinho" de alegria, de descontração. Liberará energia de algum modo.
    E aí tá tudo bem!

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  2. Cada um procura a sua forma de fugir da realidade. A realidade é muiito dura de fato.

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  3. Eu sei que o carnaval é uma alienação, mas não é por isso que deve acabar. podemos fazer um carnaval diferente e mais crítico. No momento acho que pra pura diversão ele faz o seu papel.

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  4. Sou evangélico e não tem nada de bagunça nos retiros. nós vamos lá pra nos fortalecer espritualmente. e nós também nos divertimos muito, mas não como as pessoas do mundo que não buscam a Deus, esses procuram a legria em coisas passageiras, nossa alegria é eterna.

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  5. Quem disse que a alegria do retiro é eterna? ALEGRIA espiritual que é eterna.

    Quem disse que as pessoas do mundo não buscam a Deus?Eu não flutuo não,vivo na Terra(mundo),as pessoas do mundo buscam sim,inclusive você;A bíblia fala sobre aquelas pessoas que fazem as coisas do mundo,não aquelas que vivem no mundo(é diferente)!

    PARA "O ABENÇOADO".NÃO ESTOU QUERENDO UMA CONFUSÃO RELIGIOSA,SÓ ESTOU ESCLARECENDO AS COISAS.

    JESUS AMA VOCÊ!

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  6. A diferença é que no carnaval tudo é permitido, é uma zona só, é uma desculpa para as pessoas que acham que terão uma oportunidade de extravasarem suas frustrações, sua rotina árdua de trabalho, etc e caírem numa folia passageira. O que vemos é uma época do ano em que o índice de acidentes, brigas e confusões, traições, gravidezes indesejadas aumentam consideravelmente. Se um retiro não funcionar cem por cento, fica pelo menos uma atitude de que tem gente que não concorda com o desenfreamento da humanidade, que acha que pode tudo e que não há consequências para o que fazemos, seja no sentido espiritual ou qualquer outro. Não é porque um retiro tem falhas que esse carnaval sem noção que sexualiza crianças que nem atingiram a puberdade é legítimo como algo saudável. Quem quer se destruir, que vá em frente, mas deixe os uqe não querem em paz.

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