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sábado, 5 de setembro de 2009

Que diabeisso, meu Deus?




Dois mais dois. Coloque dois dedos em uma mão e dois em outra.”

A menina esticou os dedos como se fosse um frango ciscando.

Dois!” Eu disse.

Ela ajeitou e, não sei se foi por acaso, fez um dois com a mão.

“Agora dois na outra. Dois! Isso! Agora conta.”

Ela contou:

“1, 2, 9, 7, 5...”

“Vamos contar, criatura: 1, 2, 3, 4. Deu quatro. Agora escreve.”

Ela fez algo parecido com um tridente, meio assim: Pelo menos ela tem alguma noção do que seja um quatro.

“Agora quatro mais três. Coloca quatro em uma mão...”

Eu tive que ajeitar para fazer o quatro.

“E três em outra. Agora conta.”

De novo a desgracência:

“9, 7, 3, 2...”

Contei junto com ela:

“1, 2, 3... Deu sete, não deu? Agora faz aí.”

Ela fez algo parecido com um 9. Mandei apagar e fazer de novo. Ela fez algo parecido com um 1.

"Sua jomenta tu não sabe o que é um sete, criatura?!"

Mas lógico que eu não disse isso, embora me passasse pela cabeça. Respirei fundo e prossegui:

“Tá certo. Faz a outra: cinco mais um. Bota cinco em uma mão...”

Ela rodou a mão de tudo quanto foi jeito. Fez um dois, fez um três, fez um chifrinho, fez um sinal de hang loose. Mas não foi capaz de estender a palma da mão uma única vez para que eu, hipocritamente, dissesse “certo”. Ela parou. Eu olhei para ela desestimulada e disse: “agora faz o um na outra”. Ela fez qualquer coisa. “Certo. Agora conta.”

“3, 9, 4, 2, 6.” – continuou aquele filhote de cruz credo.

Parou no seis.

“Agora escreve.”


Foi isso que ela escreveu:

"Que diabeisso, meu Deus?" - eu pensei.

“E agora professora?”

“Faça a outra" - falei entre os dentes. "Três mais dois. Desenha bolinhas. Desenha três bolinhas...”

Ela fez várias bolinhas. Parou e me olhou. Como eu não disse nada, ela continuou. Encheu o caderno de bolinhas.

ESSE FOI UM CASO REAL DE UMA CRIANÇA DE SEIS ANOS, MAS PODE SER ENTENDIDO COMO UMA METÁFORA DE UM ANALFABETO FUNCIONAL EM DESENVOLVIMENTO. NÃO É UM CASO ISOLADO E NEM UMA RARIDADE.

3 comentários:

  1. Isso não é nada. Há alguns anos atrás eu fui numa merceária, e escolhi nas prateleiras uma unidade de catchup, outra de maionese e um frasco de molho de pimenta. Coincidentemente cada produto custava R$ 1,00 (um real).

    Peguei as mercadorias, levei ao caixa onde uma senhora de uns 55 anos esperava. Após deixar lá os produtos, voltei à prateleira para procurar outra coisa. Não encontrei e voltei ao caixa.

    Quando retornei, vi que a senhora do caixa havia somando, na CALCULADORA, 1+1+1. Naturalmente ela chegou a R$ 3. Mas para minha surpresa, ela disse: “Deu três reais, mas eu vou fazer a conta novamente para ver se está certo.”

    Eu cai o queixo enquanto ela somava, pela segunda vez na CALCULADORAAAAAA, 1+1+1.

    Isso aconteceu em 2001 na cidade de Uberlândia/MG.

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  2. Pohaa
    aqui em uberlândia tem cada perola…

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  3. Tu pesquisou direito sobre a vida da menina? Ao que me pareceu ela é uma estrangeira, árabe por exemplo, que acabou de chegar no Brasil. Pelo menos aquela letra parece árabe.

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