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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Promoção do dia: ache a pizza premiada e leve outra!


Talvez você não faça nenhuma referência a essa situação, tampouco se reconheça nela. Mas quem é acostumado a ir em lanchonete de bairro pobre, ou não, mas que de vez em quando acaba em lugares assim, sabe muito bem do que eu vou falar. Quer ver? Siga a situação que eu e minha amiga passamos:

- Boa noite – eu disse.
- Boa noite – disse a dona/garçonete/gerente/pizzaiola da “pizzaria”.
Pequena pausa. Eu e minha amiga nos olhamos:
-Tem pizza de quê? – falamos.
- O cardápio, por favor.
- Ah, sim! - A lerda acordou e apontou, então, o cardápio.
Sentamos-nos e fomos analisar as opções. Havia uma variedade considerável de pizzas, lasanhas e macarronada. Escolhemos uma pizza pequena com dois sabores: Quatro Queijos e Maracatu. Voltamos ao balcão para informar a escolha. Ela disse, como se fosse a coisa mais normal do mundo:
- Ah, hoje só tem Mussarela e Calabresa, porque hoje fui comprar o material e não tinha presunto em lugar nenhum. – Como se todas as pizzas fossem feitas com mussarela, calabresa ou presunto.
Então pedimos Mussarela e Calabresa. E para beber, suco de acerola.
- Só tem de bacuri – disse a cretina.
- Dois de bacuri sem leite, então. Adoro bacuri!
Joguei o cardápio sobre o balcão.
Voltamos à mesa pensando que pela aparência higiênica do local não seria adequado comer pizza com suco de bacuri, mas engoli-la com uma Coca-Cola. Voltamos e pedimos a coca.
Conversa vai, conversa vem. Menino entra, menino sai. Um louco se coçava na parede da casa da frente. A Maia arranca a barriga falsa da Surya. A pizza chega. O sistema é do tipo “vire-se”: servimos a pizza nós mesmas e o refri também.
Minha amiga percebeu que ela tinha caprichado no orégano e outros temperos feitos à base de erva, já que tinha algo parecido com um talinho. Ela tentou tirar, mas achou que seria falta de educação ir metendo a mão assim na comida. Comemos, pois, cada qual uma fatia, e passamos para a segunda. Sempre com muita coca para ajudar a descer aquela massa mal assada. Agora, de posse da sua fatia, minha amiga se sentiu no direito de tirar o tal talinho de erva.
O talinho não era um talinho. Não era uma erva. Não era nada que se colocasse em pizza ou alguma outra comida - a não ser que estivéssemos na Tailândia.
Era um grilo.
Tinha grilo e não tinha presunto. Tiramos o animalzinho que estava atolado no queijo pela anteninha (talinho). E, entre risos e piadas, decidimos continuar comendo, já que tínhamos comido a metade da pizza, resguardando o local do "de cujus".
Na hora de pagar tivemos que usar a criatividade para tirarmos a velha da novela. Depois de muitos “psiu”, “ei dona” e batidas no prato, ela atendeu.
Com a mesma cara de pau que ela usou para dizer que não tinha presunto dissemos que tinha vindo um grilo de brinde. Ela admirou-se:
- Mas olha! – ela disse – Não voou “praí”?
- Não minha senhora, esse grilo está assado.
Talvez ela não acreditasse na gente por que não conseguíamos ficar sérias. Ela tentava tirar o bicho da bandeja; eu disse que não precisava mais, não tinha mais nada lá.
Ela ficou sem graça, mas continuou firme:
- Nunca aconteceu isso. Teve até uma vez que uma mulher reclamou que tinha um cabelo na pizza mas logo pediu desculpa por que percebeu que o cabelo era da própria companheira dela.
- Pois é, mas esse grilo não é nosso. – eu disse.
- Aí vocês decidem.
Disse para ela descontar dois e cinquenta, para vir dez reais certinho de troco. Ela aceitou e completou:
- Aí vocês voltem outra vez para ver se encontram outra coisa, ou não.

Mas não duvido de outra vez encontrar uma barata, uma libélula ou uma borboleta.

ESCRITO COM A AJUDA DE HOSANA KEIL

2 comentários:

  1. Pois bem, grilo é bicho “limpo”, não precisa ficar grilada. É isso mesmo! Acontece nas melhores famílias… e nas piores pizzarias!

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  2. Vê o lado bom da história! Vocês tiveram a oportunidade de participar daquela prova da comida de “No limite”…ou talvez inventaram um novo tipo de pizza, grilonhesa, grissarela…mas o mais interessante ao ler a história foi notar quantos cargos, apelidos…adjetivos a nossa querida dono do estabelecimento possui!! Me indica o local para quando for lá eu possa fazer o pedido da forma adequada:

    - Ôh dona severina-lerda-cretina, eu quero uma grilonhesa, por favor…

    xD

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